A primeira lista de Paulo Victor para a seleção brasileira Sub-20 traz um detalhe que chamou a atenção dos torcedores de Minas: dois zagueiros de clubes rivais aparecem com o mesmo apelido. Vítor Fernandes, do Atlético, e Vítor Hugo, do Cruzeiro, conhecidos nos bastidores como Vitão, foram convocados para os dois amistosos contra o Paraguai, que marcam a estreia do treinador no comando das categorias de base.

A coincidência vai além do apelido. O Vitão do Atlético, com 18 anos, atua mais pelo lado direito da defesa; o Vitão do Cruzeiro, de 17, tem características e movimentação pela esquerda. No papel, a dupla tem perfil complementar — e, se confirmada em campo, pode oferecer uma solução simétrica para a comissão técnica em partidas que prometem intensidade e muitos duelos por baixo.

Senti uma alegria enorme ao receber a convocação; é a primeira vez e quero aproveitar ao máximo essa chance para dar o meu melhor.

Ambos já têm passagem pela Seleção Sub-17 que terminou em quarto lugar no Mundial de 2025, um dado que reforça a continuidade da base. Naquela campanha, o defensor atleticano entrou em três partidas e o cruzeirense participou de quatro jogos, anotando um gol. Esses registros ajudam a explicar a chamada: trata-se de peças já testadas em competições de alto nível entre as categorias de base.

A convocação reacende a rivalidade local em um novo palco. Em entrevistas à CBF TV, os dois lembraram confrontos marcantes nas categorias de formação — o zagueiro do Galo citou títulos sobre o rival e o do Cruzeiro respondeu com a memória de vitórias em clássicos disputados em Belo Horizonte. São relatos que, fora do tom de provocação, mostram o peso histórico dos duelos nas trajetórias dos jovens atletas.

Para os clubes, a presença de atletas na seleção é um ativo relevante: projeta o trabalho das categorias de base, valoriza o currículo dos jogadores e dá visibilidade em calendário internacional. Para o Atlético, em particular, ter um defensor do time principal ou das divisões inferiores convocado reforça o discurso de formação e é um argumento de peso junto à torcida, que acompanha com atenção a transição de promessas para o elenco principal.

Sou muito grato pela oportunidade que o treinador me deu e vou trabalhar para corresponder à confiança dentro de campo.

Do lado da seleção, Paulo Victor escalou um grupo que mistura duas gerações — a de 2008 com a de 2007 — na tentativa de unir experiência e renovação. Os amistosos serão oportunidades práticas de ver como peças rivais de clubes mineiros se comportam em conjunto sob outra exigência tática. A tendência é que o técnico aproveite o momento para observar entrosamento, capacidade de leitura de jogo e resposta a modelos diferentes de ataque, características cruciais para zagueiros em seleções jovens.

Os confrontos estão agendados: o primeiro será no Estádio Martins Pereira, em São José dos Campos, e o segundo no Canindé, em São Paulo. Para os dois 'Vitões' a convocação é um reconhecimento imediato e uma chance de ampliar repertório. Além de carregar o orgulho das camisas que vestem, terão agora a missão de provar que a rivalidade local pode, também, virar parceria quando o objetivo for defender a camisa do País.