A visita ao Couto Pereira neste domingo tem mais do que os três pontos em disputa: reacende uma das páginas centrais da reconstrução do Atlético-MG. Em 2006, o estádio testemunhou a virada que devolveu o clube à elite; em 2026, o Galo retorna ao mesmo palco carregando uma pressão diferente — a exigência por desempenho consistente numa temporada com resultados e atuações ainda irregulares.

O jogo de 2006 foi dramático. Naquele 36º rodada, 28.036 torcedores viram o Coritiba abrir 2 a 0 com gols de Caio e Ricardinho. O Atlético parecia abatido até a intervenção de Marcos, capitão e pilar defensivo, que reorganizou o time. No fim do primeiro tempo Marinho diminuiu de voleio e, já na etapa final, empatou de cabeça. Marcinho completou a virada e o Galo saiu com o resultado que encaminhou o retorno à Série A.

O contexto torna o jogo inesquecível para Marinho e para a torcida: ele terminou a campanha como artilheiro do time, com 17 gols, e considerou o voleio no Couto Pereira o mais bonito de sua carreira. A sequência daquele ano culminou com o título nas rodadas seguintes e serviu como trampolim econômico e esportivo para o clube — lembrança que reforça o valor concreto do acesso, além do apelo sentimental.

Hoje, a memória do feito contrasta com uma equipe que, apesar da vitória na Sul-Americana, não vem convencendo. O Coritiba aparece em sétimo com 16 pontos; o Atlético em oitavo com 14. Mais do que celebrar o passado, o Galo precisa transformar legado em exigência por soluções práticas: repertório ofensivo, solidez defensiva e regularidade que reduzam a cobrança e restabeleçam uma trajetória de credibilidade junto à torcida.