A defesa do Atlético-MG voltou a ser tema de debate após o cartão amarelo de Cuello aos 36 minutos do primeiro tempo contra o Corinthians e a sequência de partidas em que Eduardo Domínguez precisou improvisar soluções. No atual elenco, Ruan Tressoldi é o único zagueiro claramente visto como titular e foi adquirido em definitivo: em 2026 soma 29 jogos e dois gols, desempenho que lhe deu prioridade nas convocações do treinador.

Com a saída iminente de Júnior Alonso para o Atlanta United, o comando da zaga teve rodízio entre nomes como Vitor Hugo — que entrou no grupo como opção canhota, com 20 jogos e dois gols nesta temporada — e o experimento com o lateral Natanael recuado como terceiro homem do sistema defensivo. A opção por laterais adaptados expõe a carência por um zagueiro canhoto com velocidade e saída de bola mais qualificada.

Lyanco, que era titular antes da lesão no tendão de Aquiles no fim do ano passado, ainda aguarda ritmo de jogo: foram apenas 12 partidas na temporada e trabalho físico em curso para recuperar confiança e forma. Sua característica mais natural, segundo observadores, é o papel central do trio — onde pode aproveitar jogo aéreo e posicionamento dentro da área — mas a indefinição do elenco mantém a rotação e a insegurança.

A chegada de Léo Duarte, vindo do Basaksehir, traz mais uma alternativa. Em 2026 disputou 34 jogos e deu uma assistência; o defensor, que saiu do Brasil em 2019 numa venda do Flamengo ao Milan estimada em R$ 46 milhões, tem perfil mais veloz e acostumado a perseguições fora da área do que à proteção estática da pequena área. Por ser destro, a tendência é que ocupe a faixa direita do trio, impactando a distribuição dos demais: Léo na direita, Lyanco centralizado e Ruan pela esquerda, quando todos estiverem disponíveis.

Apesar de opções adicionais, o setor segue com fragilidades claras: falta um canhoto rápido e com capacidade de construção para equilibrar a saída de bola — Vitor Hugo não convence plenamente nesse papel — e nomes como Iván Román (nove jogos, um gol) e o jovem Vitão ainda não foram considerados soluções imediatas. A direção do Galo terá de decidir se aceita o risco de improvisações ou busca reforço específico para fechar o setor.