Um levantamento da Anbima em parceria com o Datafolha revela que 20% dos entrevistados no Brasil enxergam as apostas online como uma forma de investimento. O perfil desse grupo é majoritariamente masculino (66%) e mais jovem, com média de 35 anos — sinais de uma penetração maior entre faixas etárias e gêneros menos tradicionais no universo de poupança e mercado de capitais.
Os motivos declarados confirmam a natureza especulativa do fenômeno: 39% dizem apostar para obter dinheiro rápido em momentos de necessidade e 37% buscam prêmios elevados. Essa mentalidade se traduz também no comportamento de alocação: quem trata as bets como investimento desembolsa em média R$ 284,81 por mês, bem acima dos R$ 178,47 gastos por quem tem a aposta apenas como entretenimento.
Especialistas ouvidos no levantamento enquadram o fenômeno como sintoma de desconhecimento do risco e de estímulos emocionais que emulam recompensas imediatas, confundindo sorte com estratégia. A consequência prática é clara na pesquisa: entre os apostadores, apenas 23% conseguiram poupar em 2025 e 25% afirmam não ter qualquer reserva financeira. O quadro aponta para erosão da capacidade de acumulação de patrimônio e perda da proteção que reservas e investimentos conservadores oferecem.
Do ponto de vista público e do mercado, o crescimento das apostas como opção financeira levanta questões sobre educação financeira, regulação e custos sociais. Analistas recomendam que apostas não ocupem espaço na estratégia de constituição de patrimônio: formação de reserva de emergência, definição de objetivos e alocação entre liquidez, crescimento e proteção devem preceder qualquer gasto com jogo. O avanço das bets acende alerta sobre possíveis impactos na saúde financeira das famílias e na estabilidade de longo prazo do ambiente de poupança no país.