Uma pesquisa do instituto PoderData divulgada nesta terça-feira revela que 37% dos brasileiros não conseguiram pagar todas as contas no último mês. O levantamento ouviu 2.500 pessoas em 166 municípios das 27 unidades da Federação e fornece um retrato do aperto financeiro que atinge fatias importantes da população. A magnitude do número — mais de um terço dos entrevistados — indica risco para a recuperação do consumo e gera pressão sobre a agenda econômica do governo.

Os dados mostram concentração do problema entre grupos vulneráveis: 43% dos que deixaram de quitar compromissos têm 60 anos ou mais, enquanto a faixa dos 16 aos 24 anos registra 30%. No recorte por escolaridade, 64% entre os que nunca foram à escola e 52% com ensino fundamental não pagaram todas as contas. Quanto à renda, 66% desse grupo afirmam ganhar até dois salários mínimos. Regionalmente, o Norte lidera o índice de inadimplência (54%), seguido pelo Nordeste (49%), contraste que aponta defasagens estruturais e vulnerabilidade das economias locais.

O levantamento também sondou a percepção sobre o Novo Desenrola Brasil entre os que deixaram de pagar contas: 42% afirmaram que o programa ajudou, 33% disseram que não ajudou, 19% não conhecem a iniciativa e 6% preferiram não responder. O dado evidencia alcance limitado e falhas de comunicação que reduzem o impacto esperado de uma política de renegociação. Politicamente, a combinação de alta inadimplência e percepção mista sobre a solução do governo acende um alerta: se o problema persistir, pressiona a equipe econômica a ajustar medidas de proteção social e estimulo ao crédito, ao mesmo tempo em que complica a narrativa oficial sobre recuperação. Em suma, o levantamento é um termômetro da fragilidade financeira de parcelas relevantes da população e aponta para necessidade de ações mais precisas e eficazes.