Um levantamento da Ipsos‑Ipec mostra que a maioria dos brasileiros enxerga risco real de ser substituída pela inteligência artificial: 63% dos 2 mil entrevistados disseram se preocupar muito com a possibilidade. Apenas 10% afirmaram não ver motivo para preocupação. O recorte etário revela que a Geração Z (16 a 29 anos) é a menos apreensiva — 57% — enquanto Geração X (46 a 61 anos) e Baby Boomers (62+) registram 68% e 67%, respectivamente.
O estudo também mapeou escolaridade e renda. Entre quem tem ensino fundamental completo, 65% declararam alto nível de preocupação; no ensino médio, o índice foi de 64% e entre os com ensino superior completo caiu para 59%. A preocupação é mais intensa nas faixas de renda baixas e médias do que entre quem ganha mais de cinco salários mínimos (R$ 8.105,00). Apesar do medo, 63% dos entrevistados consideram o diploma universitário importante na busca por emprego.
Os números lançam um sinal claro para empregadores, setor educacional e autoridades: há demanda por programas de requalificação e pela combinação entre inovação e políticas de proteção social. A menor apreensão da Geração Z não elimina o fato de que a maioria desse grupo também teme a substituição — o que sugere que adaptação e capital humano continuam centrais para competitividade e inclusão no mercado.
Do ponto de vista econômico e social, o recorte aponta risco de aprofundamento das desigualdades se a incorporação da IA não vier acompanhada de investimentos públicos e privados em formação técnica e apoio à transição profissional. A pesquisa da Ipsos‑Ipec funciona como retrato do momento e também como alerta: a agenda de inovação precisa conviver com políticas de qualificação e segurança no emprego para reduzir efeitos distributivos indesejados.