A maioria dos brasileiros aprovou a decisão de extinguir o chamado imposto sobre as 'blusinhas'. A pesquisa Nexus, em parceria com o BTG Pactual, divulgada nesta segunda-feira (25), aponta que 73% consideram correta a medida e apenas 15% a classificam como equivocada. O levantamento por telefone foi realizado entre 22 e 24 de maio com 2.045 entrevistados (margem de erro de dois pontos) e está registrado no TSE sob o número BR-04193/2026.

A medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva zera a cobrança federal de importação — até então de 20% para remessas de até US$50 — sobre compras feitas por pessoas físicas. Para remessas acima de US$50, mantém-se a alíquota de importação de 60%. Continuarão incidindo apenas tributos estaduais do ICMS, com alíquotas que variam em torno de 17% a 20% conforme cada unidade federativa.

Do ponto de vista político, os números oferecem um alívio ao governo: alta aprovação pública reduz a margem para ataques imediatos por parte da oposição e dá espaço para a equipe econômica capitalizar o gesto pró-consumidor. Ao mesmo tempo, a decisão lança questões relevantes sobre custo fiscal e coerência tributária que o Executivo terá de justificar ao Congresso e à opinião pública.

Na prática, 16% dos entrevistados disseram que a isenção os fará voltar a comprar em sites internacionais, sinalizando potencial aumento das remessas de pequeno valor e impacto no varejo nacional e na logística de importação. O efeito sobre a arrecadação federal é incerto e deverá figurar no debate técnico; já os estados poderão reclamar do ajuste, uma vez que o ICMS permanece como principal instrumento de tributação desse fluxo.

A pesquisa retrata um momento favorável ao governo na leitura popular, mas não encerra o debate. A medida resolve um impasse de caráter simbólico e de curto prazo, enquanto abre pressão para respostas sobre a conta fiscal, a operacionalização da isenção e o diálogo com os estados — elementos que definirão se o benefício se traduzirá em vantagem política sustentável.