Nos últimos anos o governo intensificou a agenda de abertura internacional como resposta à necessidade de diversificação de mercados. No agronegócio, o alcance de destinos comerciais subiu de 555, ao fim de 2025, para 616 mercados atualmente, e o Executivo estima que novos acordos tenham gerado cerca de US$ 5 bilhões em exportações adicionais. A estratégia combina iniciativas como a política industrial NIB, linhas de crédito do BNDES e do Banco do Brasil, e atuação contínua da ApexBrasil em prospecção e missões comerciais.
No plano multilateral e regional, o governo participou do fechamento de três acordos pelo bloco do Mercosul — com Singapura, com a União Europeia e com a Efta — e mantém negociações com parceiros como México, Canadá, Emirados Árabes, países da América Central, Índia e Japão. Para a máquina pública, ampliar destinos e reduzir concentração de compradores é ferramenta de mitigação de risco: menos dependência bilateral significa, em tese, mais opção de realocação em choques externos.
Mas especialistas consultados pela reportagem apontam limites estruturais que ainda impedem o país de considerar a tarefa concluída. Em 2025 o PIB brasileiro ficou em cerca de US$ 2,268 trilhões e as exportações somaram US$ 348,7 bilhões — equivalente a 15,4% do PIB — um patamar que, segundo analistas com passagens por FMI e outros organismos, mantém o Brasil entre as economias relativamente fechadas. Além disso, barreiras tarifárias e não-tarifárias internas, logística insuficiente e baixa rede de acordos deixam o país lento para reposicionar vendas diante de um eventual 'tarifaço' externo.
O resultado é uma agenda que mistura ganhos reais e fragilidades políticas e econômicas. A abertura comercial se apresenta hoje também como questão de segurança nacional, porque envolve cadeias de suprimento, tecnologia e insumos. Para transformar avanço pontual em resiliência duradoura é preciso acelerar reformas que reduzam custos logísticos, cortar barreiras internas e ampliar pactos comerciais com cláusulas que facilitem a transição em choques. Sem isso, a diversificação registrada até agora terá efeito limitado — bom para alguns setores, insuficiente para blindar a economia como um todo.