O presidente da Abimaq, José Veloso, advertiu em Hannover Messe, na Alemanha, que a redução da jornada de trabalho imposta por lei — sem contrapartida em aumento de produtividade — tende a reduzir a remuneração dos trabalhadores e a precarizar empregos. Para a entidade, medidas dessa natureza deveriam nascer de acordos coletivos e não de imposição constitucional, sob risco de encarecer produtos e comprometer a viabilidade de empresas, em especial as menores.

Veloso lembrou que, no setor de máquinas, a jornada média hoje é de 42 horas semanais, definida por convenções coletivas. A mudança de regra sem investimento produtivo, segundo ele, empurraria custos para cima e geraria efeitos indiretos: mesmo que salários sejam formalmente mantidos, a rotatividade e a pressão sobre pequenas empresas implicariam queda nos ganhos reais e perda de qualidade dos postos de trabalho.

No diagnóstico da Abimaq está também o custo do capital como obstáculo central. Taxas de juros elevadas reduzem a capacidade das empresas brasileiras de financiar modernização e automação, impedindo ganhos de produtividade que poderiam compensar eventual redução de horas. Daí a defesa explícita por reformas macroeconômicas e por alívio tributário para liberar investimentos produtivos.

Veloso aproveitou a feira para destacar oportunidades externas: o interesse de grupos europeus, estimulado pela negociação Mercosul-União Europeia e pela posição geopolítica do Brasil, pode trazer tecnologia e integração local de componentes, elevando competitividade. O argumento da indústria é claro: políticas trabalhistas que não considerem o choque de custos e a necessidade de investimento podem transformar boa intenção social em retrocesso econômico.