A proposta de encerrar a escala 6x1 e estabelecer jornada de 40 horas semanais prevê apenas um ano de transição. Para a Abrainc, esse prazo é claramente insuficiente diante dos prazos de construção: empreendimentos levam entre 36 e 48 meses e os preços já estão contratados com os compradores.
A entidade cita estudo da Econite (FGV) que estima aumento de 5,5% no valor dos imóveis como efeito direto da mudança. No entendimento do setor, esse reajuste não é técnico: reduz a capacidade de compra de parte significativa da demanda financiada, e o estudo aponta que até 2,5 milhões de pessoas poderiam ficar fora do mercado imobiliário.
Além do encarecimento, há dois efeitos operacionais que preocupam incorporadoras: dilatação de prazos de entrega — com impacto nos custos financeiros, já que obras são financiadas — e aumento nos gastos com mão de obra caso seja preciso contratar mais trabalhadores para manter o ritmo. Em metrópoles, logística como concretagem de sábados também seria afetada.
Diante do quadro, a Abrainc defende negociação com governo, Câmara e Senado antes de ações mais drásticas e anuncia busca de diálogo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. O setor pede que a transição seja estendida para um mínimo de 60 meses e reclama maior liberdade negocial sobre horas extras para reduzir custos e preservar cronogramas.