O conselheiro da Abrasce, Vander Giordano, pediu que a proposta de redução da jornada 6x1 seja tratada com mais profundidade no Congresso. Em entrevista, ele afirmou que o setor produtivo — incluindo comércio, indústria, construção civil e turismo — foi surpreendido pela urgência com que o governo encaminhou o projeto, sem detalhar os mecanismos que compensariam a escala menor de trabalho.

Giordano enfatizou que a Abrasce e outros segmentos não se posicionam contra a busca por melhores condições para o trabalhador, mas cobram clareza sobre a viabilidade financeira da mudança. A ausência de uma previsão de recursos preocupa especialmente donos de micro e pequenos estabelecimentos — cabeleireiros da periferia, bares, empórios e oficinas mecânicas — que operam com equipes enxutas e margens apertadas.

A colocação de urgência para tramitação no Congresso acende alerta político: aceleração sem impacto fiscal definido amplia desgaste e pode gerar resistência de parlamentares preocupados com efeitos sobre emprego e custos dos comerciantes. Para a Abrasce, um debate que não considere compensações ou transição pode transferir ônus a empreendimentos locais e à formalidade do mercado de trabalho.

Do ponto de vista econômico, a falta de detalhamento sobre subsídios impede uma avaliação realista dos custos e das fontes de financiamento. São perguntas centrais que permanecem em aberto: quem arcará com horas extras adicionais, que incentivos serão oferecidos a pequenos empregadores e se haverá prazos de adaptação. Sem respostas, a proposta passa a ser vista pelo setor como incompleta e potencialmente prejudicial.

A Abrasce afirma que é favorável ao debate — convergências e divergências constroem melhor legislação —, mas condiciona apoio a um modelo com contrapartidas claras. A mensagem ao governo e ao Congresso é que a pressa legislativa, sem compensações, amplia a pressão política e econômica sobre cadeias produtivas e sobre pequenos negócios que sustentam empregos locais.