O presidente-executivo da Abrasel, Paulo Solmucci, afirmou que a proposta de proibir a escala 6x1 está sendo tratada de forma "açodada" e impulsionada por interesses eleitorais, com pouco tempo para o parlamento e a sociedade discutirem os custos. Solmucci ressaltou que a pauta tem sido confundida com a redução da jornada semanal — duas propostas distintas — e que o efeito prático da mudança na escala exige avaliação separada.
Na avaliação da Abrasel, a alteração da escala terá impacto direto nas contas dos estabelecimentos. O executivo usou um exemplo para medir a ordem de grandeza do custo: a redução de dias trabalhados de uma cozinheira em um restaurante pequeno poderia elevar a folha em cerca de 20%, resultando, segundo a entidade, em repasses da ordem de 7% a 8% nos preços dos cardápios. Para empreendimentos de baixa margem, esse choque operacional pode comprometer a viabilidade ou pressionar aumentos generalizados de preço.
Além do impacto financeiro, a associação chama atenção para a escassez de mão de obra no setor: segundo Solmucci, o segmento registra mais de 500 mil vagas em aberto. Em um contexto de pleno emprego, a obrigatoriedade de jornadas mais curtas sem medidas de transição pode aprofundar a dificuldade de contratação, encarecer serviços e fomentar deslocamentos de trabalhadores em busca de empregos com jornadas distintas, com potencial para precarizar oferta em áreas periféricas.
Do ponto de vista político e institucional, a Abrasel vê risco na pressa legislativa: uma mudança aprovada sem debate técnico amplia o custo político para o governo e cria foco de reação entre empresários e trabalhadores do setor. A entidade pede mais tempo para que o parlamento avalie impactos e alternativas — como prazos, exceções setoriais ou mecanismos de transição —, sob pena de transformar uma pauta trabalhista em fonte de pressão econômica e eletoral.