As ações da WEG fecharam em forte queda nesta quarta-feira (29), liderando as perdas do Ibovespa ao recuar 6,75%, cotadas a R$ 44,10. O movimento acompanhou o balanço do 1º trimestre de 2026, que trouxe lucro líquido de R$ 1,46 bilhão — queda de 5,7% em relação ao mesmo período do ano anterior — e receita operacional líquida de R$ 9,47 bilhões, redução de 6,1% ano a ano.

A deterioração da receita no Brasil foi o principal gatilho identificado pela companhia: o trimestre foi marcado pela ausência de grandes projetos solares, que costumam puxar vendas de equipamentos, enquanto a valorização do real frente ao dólar comprimiu o efeito cambial positivo nas receitas que são geradas no exterior. A WEG informou que cerca de 60% da sua receita vem de fora do país, o que torna os números sensíveis ao câmbio, mesmo com margens operacionais que se mantiveram resilientes.

No mercado externo, a companhia registrou avanço de 4,5% em reais e de 16,1% em dólares, puxado por demanda por equipamentos industriais de ciclo curto — com força em segmentos como óleo e gás, ventilação e refrigeração para data centers, além de transmissão e distribuição. Ainda assim, a perda de fôlego no mercado doméstico foi suficiente para anular parte do ganho internacional e provocar aversão dos investidores.

A reação do pregão revela dois riscos claros para a WEG: a exposição a ciclos de projetos de grande porte, especialmente em energia solar, e a sensibilidade ao câmbio. Apesar de margens preservadas, a combinação de receita em queda e apreciação do real pesa sobre a confiança de curto prazo e tende a aumentar a volatilidade do papel. Para os analistas e investidores, a leitura agora será sobre a capacidade da gestão de compensar a menor geração interna com crescimento externo e disciplina de custos.