As ações da Arm despencaram 5% na quinta-feira, para US$225,43, movimento que elimina mais de US$12 bilhões do valor de mercado da empresa, hoje estimado em US$252 bilhões. A queda ocorreu após a companhia avisar que o mercado de smartphones mostra sinais de fragilidade e que há desafios para garantir oferta suficiente do novo chip de inteligência artificial, lançado como peça-chave da estratégia de crescimento em 2026.
Em teleconferência, o CEO Rene Haas disse ter capacidade para atender a uma demanda inicial de US$1 bilhão, mas sem garantia de suprir volumes além desse patamar. A Arm detalhou ainda que precisa de acesso a capacidade fabril, wafers e equipamentos de teste — elementos fora do seu controle direto — enquanto a TSMC fabrica o chip em processo de 3 nm, usando duas peças de silício integradas. A companhia aposta que o produto gerará mais de US$2 bilhões nos exercícios de 2027 e 2028.
Os números operacionais trazem contrastes: receita trimestral recorde de US$1,49 bilhão e elevação de preços-alvo por pelo menos 14 corretoras convivem com novos riscos de execução. O aviso sobre smartphones, cuja base funcional depende amplamente dos designs da Arm, expõe a empresa a dois vetores de pressão simultâneos — uma desaceleração na demanda final e gargalos na cadeia de produção — que podem retardar a monetização esperada da aposta em IA.
Para investidores e parceiros, a mensagem é clara e operacional: a Arm ganhou mercado e valorização rápida em 2026, mas agora precisa converter ambição tecnológica em capacidade física e contratos que garantam escala. A incapacidade de ampliar o fornecimento no tempo esperado aumenta a incerteza sobre o ritmo de crescimento das receitas vindas de licenciamento e royalties, e acende um alerta sobre a sustentabilidade do salto de avaliação já observado.