A possibilidade de formação de uma bolha em ativos ligados à inteligência artificial não elimina oportunidades no mercado acionário americano. Em episódio do quadro 'Insights da Semana', comentado na Resenha do Dinheiro, Ben Campbell, CEO da Capital Advisors, chamou atenção para ações negociadas a preços mais atraentes em segmentos que ficaram à margem do rali das gigantes de tecnologia. A leitura do executivo — repercutida pelos apresentadores — é de que a chamada 'velha economia' ainda pode oferecer potencial de valorização e ampliar o universo de opções para investidores mais seletivos.

A recomendação para mirar além do núcleo tech se apoia em uma diferença de avaliação: enquanto as megacap impulsionaram grande parte dos ganhos recentes, outros setores ligados à economia real não viram a mesma pressão compradora. Na prática, isso abre espaço para uma rotação de carteiras em busca de valorização por recuperação de múltiplos e por fundamentos mais estáveis. Campbell chegou a colocar uma meta ambiciosa para o S&P 500 até o fim do ano — cenário que, se confirmado, dependerá tanto da continuidade do apetite por risco quanto de sinais econômicos mais amplos.

No front doméstico, o Boletim Focus trouxe pela primeira vez desde fevereiro uma redução marginal na projeção de IPCA para 2026, de 5,33% para 5,30%. Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos, atribuiu parte da revisão a um cenário mais favorável nos preços internacionais do petróleo após arrefecimento das tensões no Oriente Médio. Para analistas, mesmo uma correção pequena nas projeções de inflação representa uma informação relevante para a condução da política monetária, pois reduz a pressão sobre a necessidade de aperto adicional e pode alterar a dinâmica de preços de ativos locais.

Outro ponto destacado no programa foi o desempenho do ouro, que registrou o pior trimestre desde 2013. Thiago Godoy observou que a queda reflete um aumento do apetite por ativos de risco com a recuperação das bolsas, mas ressaltou que o metal mantém papel de diversificação em carteiras. Para investidores e gestores, o conjunto de sinais — valorização concentrada em tecnologia, janelas de oportunidade em setores tradicionais, revisão de inflação e rotação nos ativos de proteção — exige reavaliação de estratégias: equilíbrio entre valor e crescimento, controle de risco e atenção às mudanças de cenário macroeconômico.