O setor de tecnologia foi o destaque de Wall Street no primeiro semestre de 2026: o índice MSCI World Information Technology avançou mais de 20%, apesar de uma liquidação recente que reduziu parte dos ganhos. O movimento ocorre num contexto macroeconômico marcado por pressões inflacionárias ligadas à guerra no Oriente Médio e pela expectativa de juros mais altos mantida pelo Federal Reserve.
Analistas se dividem entre apostar que os lucros justificarão as altas e questionar a sustentabilidade do rali. Há consenso sobre a difusão acelerada da inteligência artificial, mas também sobre o fato de que mudanças organizacionais e práticas de governança necessárias para colher ganhos de produtividade ainda estão longe de ser generalizadas. Isso cria risco de execução e de avaliação excessiva.
O avanço permanece concentrado: gigantes como Nvidia, Apple, Microsoft, Broadcom e Micron impulsionam o índice, enquanto as bigtechs recorrem a dívida e emissões de ações para financiar investimentos. Relatos públicos de executivos — como a admissão de que gastos com IA pressionam as finanças — reforçam a ideia de que ganhos de eficiência vêm acompanhados de nova linha de custo.
Mercados e instituições financeiras acompanham a corrida: bancos têm participado do financiamento de data centers e infraestrutura, e grandes IPOs referenciados à IA, como possíveis listagens da OpenAI e Anthropic, ajudam a explicar o apetite por ativos do setor. Relatórios apontam que a IA pode impulsionar lucros do S&P 500 em cerca de 25% este ano, mas também já contribuíram para ampliar spreads de crédito — volatilidade que pode crescer se as tensões geopolíticas se agravarem e alterar a trajetória de juros (os mercados veem 53,5% de chance de alta do Fed em setembro).