As ações das petroleiras listadas na B3 registraram perdas expressivas nesta sexta-feira, após notícia de que o Irã liberou a passagem de embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz. Por volta das 10h45, os papéis da Prio caíam 6,80%; Brava Energia, 4,27%; PetroReconcavo, 2,65%. As ações da Petrobras operavam em baixa também relevante: 5,68% (ordinárias) e 5,41% (preferenciais).
No mesmo intervalo, os contratos futuros do petróleo recuavam mais de 10% tanto para o Brent quanto para o WTI. A decisão iraniana foi justificada por seu chanceler como liberação total das passagens durante o período restante do cessar‑fogo, anunciado após a trégua que entrou em vigor no Líbano. O movimento do geopólitico foi imediatamente traduzido em aversão ao risco nos mercados de commodities.
O capítulo tem consequências claras para o mercado brasileiro: a perda de valor nas ações reflete revisão de expectativas de receita e lucratividade das empresas do setor. Para a Petrobras, maior volatilidade nos preços internacionais aumenta incertezas sobre fluxo de caixa, valuation e, indiretamente, sobre a contribuição da estatal para contas públicas — sem números específicos, trata‑se de ajuste de expectativa pelos investidores.
Do ponto de vista macro, preços menores do petróleo tendem a aliviar pressão sobre inflação e combustíveis no curto prazo, benefício para consumidores e para a política econômica. Ao mesmo tempo, reduzem receitas de exportação e podem complicar estratégias fiscais e orçamentárias dependentes do ciclo de preços. Mercado e governo acompanharão a duração da trégua e os próximos indicadores de oferta e demanda para recalibrar riscos e decisões.