União e Governo do Distrito Federal formalizaram no STF um acordo que prevê um empréstimo de pouco mais de R$ 6 bilhões para socorrer o Banco de Brasília (BRB), que entrou em crise de liquidez após a tentativa frustrada de compra do Banco Master. A governadora Celina Leão saudou a operação como uma 'virada de página' para o DF, afirmando que o banco sai mais fortalecido do episódio.

A estrutura anunciada usa recursos vinculados ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e conta com a garantia de um sindicato formado por bancos públicos e privados. Como contragarantia, caso o GDF não honre o compromisso, serão utilizados recursos que o Distrito recebe do Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal (FPE). O empréstimo prevê prazo de pagamento de até 15 anos e carência de dois anos, o que postergará o início dos desembolsos para 2028.

Tecnicamente, a operação evita uma solução mais traumática para a liquidez do BRB e protege clientes e contratos em curso. Politicamente e fiscalmente, contudo, transfere risco ao orçamento distrital e expõe fluxos do FPE como última fonte de pagamento. A solução sustenta o banco no curto prazo, mas cria um passivo de longo prazo que exigirá disciplina orçamentária do GDF e atenção dos credores.

Além do alívio imediato, o acordo levanta questões sobre precedentes e moral hazard: a intervenção combinada entre União e governo local para resgatar uma instituição estatal pode gerar pressão por instrumentos semelhantes no futuro. Para o governo distrital, há ganho político ao encerrar a crise, mas também responsabilidade por um compromisso que terá impacto fiscal e exigirá medidas para acomodar o serviço da dívida nos próximos anos.