Delegações do Canadá e dos Estados Unidos afirmaram, nesta quinta-feira em Washington, que estão perto de um acordo comercial destinado a reduzir meses de tarifas e represálias. As conversas, conduzidas por altos funcionários, aceleraram diante de um prazo imposto pela administração Trump, que ameaçou uma tarifa de 50% sobre cerca de US$ 20 bilhões em produtos canadenses.

Segundo fontes próximas às negociações, a proposta em negociação baixa a tarifa máxima sobre veículos produzidos no Canadá de 25% para 15% e reduz para 25% as alíquotas sobre aço e alumínio — metade do patamar inicialmente anunciado pelo governo americano. Ainda assim, persistem dúvidas cruciais sobre como será feita a contabilização do conteúdo local e se as regras do USMCA serão plenamente respeitadas.

O encontro em Washington teve duração superior a três horas e envolveu a continuidade dos trabalhos por parte da equipe canadense, mas nenhum acordo final foi divulgado. A disputa não é apenas técnica: envolve risco econômico para setores sensíveis e custo político para Ottawa, que enfrenta pressão das províncias sobre a reabertura do mercado de bebidas alcoólicas americanas, usada como moeda de barganha nos estados regionais.

A implementação prática das concessões permanece o ponto mais sensível. Fontes citadas nas discussões afirmam que falta definir se o conteúdo canadense será avaliado veículo a veículo ou de forma agregada, e como serão calculadas as isenções para peças. Essa indefinição deixaria margem para interpretações divergentes, o que pode reabrir atritos pouco depois de um eventual acordo.

Do ponto de vista político e econômico, um desfecho negociado reduziria tensões entre aliados e permitiria avanço nas tratativas mais amplas do USMCA. Por outro lado, o formato final do acordo e a clareza sobre a aplicação das regras serão determinantes para evitar nova rodada de medidas retaliatórias e para restaurar confiança em cadeias de suprimento já afetadas pelos últimos dois anos de impasse.