O governo federal afirmou que a assinatura do acordo entre o Mercosul e a União Europeia teve efeito imediato sobre o interesse de outros parceiros, entre eles o Canadá. Na avaliação da Secretaria de Comércio Exterior, a implementação do tratado europeu reposicionou a região e reforçou o apetite de Ottawa por um pacto com o bloco sul-americano — um acordo que Brasília considera plausível de ser concluído até 2026.
Autoridades do Mercosul reuniram-se em Toronto em maio e levaram cinco capítulos do texto para a fase de encerramento, segundo relatos oficiais. Ainda permanecem pontos centrais em aberto: o cronograma de liberalização tarifária e as regras de origem, temas que costumam determinar ganhos comerciais práticos e proteger segmentos produtivos vulneráveis. As negociações, portanto, caminham entre interesses ofensivos e defensivos a serem equilibrados.
Do ponto de vista político e econômico, o movimento tem dupla leitura. Por um lado, avançar com o Canadá ampliaria o acesso a mercados e reforçaria a agenda de abertura comercial do governo, sinalizando capacidade de entrega diplomática. Por outro, expõe o Executivo ao esforço de conciliar setores domésticos protegidos e pressões por salvaguardas, além de exigir gestão técnica apurada para evitar custos políticos e econômicos internos.
O Mercosul já havia fechado acordos com a EFTA e com Cingapura, e mantém interlocução com países como Indonésia, Vietnã, Índia, México e Emirados Árabes. Fechar o trato com o Canadá seria a confirmação de uma sequência de acordos nos últimos anos, mas o desfecho dependerá do calendário de liberalização e das regras acordadas — itens que continuam a ditar o ritmo e o custo político da integração comercial.