O diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, Kevin Hassett, afirmou em entrevista à Fox News que um eventual acordo entre Estados Unidos e Irã pode reabrir o Estreito de Ormuz — rota vital para o petróleo mundial — e liberar oferta represada. Na avaliação dele, a volta do fluxo poderia provocar queda nos preços de energia e aliviar a pressão inflacionária, criando espaço para o Federal Reserve reduzir os juros.
Hassett disse ainda que os mercados já mostram cautela: compradores estariam evitando novas compras à vista na expectativa de recuo mais acentuado dos preços. Citou também que há produção adicional pronta para entrar no mercado, especialmente na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos. Segundo ele, previsões iniciais de barril acima de US$ 150 não se confirmaram e o petróleo permaneceu abaixo de US$ 100; gasolina e diesel seguem elevados, com preços ao consumidor nos Estados Unidos citados na entrevista.
Do ponto de vista macro, o assessor ressaltou que energia é um vetor relevante, mas não único. O núcleo da inflação — que exclui alimentos e energia — tem mostrado pouca variação nos últimos relatórios. Hassett citou fatores contrários à inflação, como medidas de desregulação, iniciativas para conter preços de alimentos, avanço da inteligência artificial e aumento de investimentos, mas manteve a leitura de que queda substancial da energia facilitaria uma redução das taxas pelo Fed.
As declarações ocorreram após a posse de Kevin Warsh como presidente do Fed, na avaliação de Hassett, que elogiou a experiência e defendeu independência do banco central. Para mercados e formuladores, a combinação entre avanço nas negociações internacionais e expectativa de menor pressão energética muda o cenário de políticas monetária e fiscal — mas o efeito real dependerá do desfecho das conversas e da reação dos índices de inflação subjacente.