Os preços dos combustíveis no Brasil registraram queda sensível na semana que culminou com a assinatura do memorando de paz entre Estados Unidos e Irã, segundo o IPTL (Índice de Preços Edenred Ticket Log). Entre 14 e 20 de junho, o diesel comum recuou 8,49% (para R$ 6,98), o diesel S-10 caiu 6,38% (R$ 7,22) e a gasolina perdeu 1,57% (R$ 6,81).
O instituto atribui a reação rápida nas bombas ao alívio no mercado internacional depois da formalização do acordo em 17 de junho, que prevê, entre outras medidas, o fim das sanções e a reabertura do Estreito de Ormuz, com previsão de restabelecimento do tráfego pleno em até 30 dias. A Edenred calcula valores a partir de abastecimentos em sua rede de 21 mil postos.
Apesar da retração frente ao pico do conflito, os preços ainda não voltaram ao nível anterior à escalada militar. Na comparação entre a primeira semana de março e a quinzena pós-acordo, o diesel comum acumula alta de 10,27%, o S-10 subiu 13,22% e a gasolina está 5,42% mais cara do que antes da crise.
Do ponto de vista econômico, a desaceleração dos preços ajuda a reduzir pressões inflacionárias e oferece alívio imediato ao consumidor, mas o efeito político e fiscal é condicionado: a continuidade do recuo depende da efetiva retomada das exportações iranianas e da estabilidade do transporte no Estreito de Ormuz, além de negociações que podem levar semanas a se consolidar.
Para governos e formuladores de política, a lição é que choques geopolíticos seguem determinando volatilidade nos preços de energia. O episódio reduz uma fonte de pressão sobre contas públicas e bolsos dos cidadãos, mas não elimina a necessidade de vigiar inflação, preços administrados e a cadeia de distribuição doméstica.