O governo afirma que o acordo entre Mercosul e União Europeia pode elevar as exportações brasileiras em cerca de 13% quando a tarifa for totalmente eliminada, expectativa projetada para 2038. A estimativa ganha relevo porque prevê também um avanço mais robusto para a indústria — até 26% — e porque a retirada de tarifas começa já em 1º de maio para quase 5 mil produtos, segundo o Executivo.
Os efeitos prometidos, porém, vêm acompanhados de incertezas concretas. A retirada gradual de barreiras ao longo de até 12 anos abrirá mercados, mas também ampliará concorrência interna e importações, cenário que Alckmin reconheceu. Projeções da Apex apontam para ganho modesto na balança já no primeiro ano, e o Ipea calcula impacto positivo de 0,46% no PIB entre 2024 e 2040, números relevantes — mas limitados — para a economia brasileira.
Há ainda riscos políticos e institucionais. A decisão de alguns países europeus, como a França, de levar o acordo ao Tribunal de Justiça da UE mantém a tramitação sob alerta, e a adoção de salvaguardas rígidas pelos europeus irritou produtores agrícolas brasileiros, forçando o país a prever mecanismos recíprocos. Essa simetria busca equilíbrio, mas expõe o governo a pressões internas: setores exportadores celebram abertura, enquanto concorrentes domésticos e segmentos sensíveis pedem proteção.
No plano externo, o avanço com a UE não elimina desafios com os EUA, onde o Brasil responde a investigações comerciais que podem resultar em tarifas punitivas. Em suma: o acordo abre oportunidades reais para exportadores e indústria, mas acende alertas sobre efeitos distributivos, pressão por medidas compensatórias e custo político de ajustamentos que o governo terá de administrar.