Em entrevista ao programa 'Bom dia, ministro' da EBC nesta sexta-feira (24), o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, afirmou que as perspectivas para o acordo entre Mercosul e União Europeia "são as melhores possíveis" e que a entrada em vigor ocorrerá de forma provisória em 1º de maio. O ministro reforçou que, apesar do caráter provisório, não enxerga dificuldades para implementação inicial.
Rosa destacou que o novo arranjo ampliará o mercado — citou a cifra de 720 milhões de pessoas conectadas no mesmo comércio — e qualificou o texto como um acordo de livre comércio com potencial para transformar a balança comercial de países-membros. Para o governo, a aplicação provisória representa uma vitória diplomática e uma oportunidade para exportadores ganharem acesso gradual ao mercado europeu.
Ao mesmo tempo, a saída do gabinete é clara: a aplicação provisória não encerra a agenda. A etapa que vem pela frente exigirá trâmites políticos e ajustes regulatórios para que o acordo se consolide na prática. Setores sensíveis, como a indústria e alguns segmentos agrícolas, tendem a pressionar por medidas compensatórias e salvaguardas, enquanto administrativamente será preciso adaptar normas e controles para operar em maior escala.
Politicamente, o governo ganha argumento de peso na agenda externa, mas também abre espaço para questionamentos internos sobre impactos econômicos e sociais. A capacidade de transformar a aplicação provisória em benefícios concretos dependerá da articulação com Congresso, dos mitigadores para setores vulneráveis e da rapidez na implementação administrativa — tarefas que vão além do anúncio e definirão o custo político e econômico do acordo.