Na quarta-feira (26), a Meta anunciou um acordo com dezenas de procuradores-gerais estaduais dos Estados Unidos que pode chegar a US$ 18 bilhões e estabelece mudanças estruturais voltadas a usuários adolescentes. A empresa não admitiu irregularidades, mas aceitou limites operacionais e a fiscalização de um auditor independente — uma alteração relevante frente à prática anterior de autorregulação.

O pacote de medidas prevê, entre outros pontos, limite diário de duas horas para usuários de 13 a 17 anos, um modo noturno que restringe o uso entre meia-noite e 6h, um modo escolar que limita notificações no período letivo, a desativação por padrão da contagem de curtidas para menores e a remoção de filtros de "maquiagem extrema". Adolescentes poderão optar por feeds não baseados em recomendações algorítmicas e desativar a reprodução automática. A Meta tem seis meses para implantar as mudanças.

O litígio expôs documentos internos que, segundo os procuradores, indicam que a companhia tinha conhecimento dos riscos para a saúde mental dos jovens — argumento central dos estados. Ainda assim, o valor acordado representa uma fração do que foi buscado em juízo, e a empresa continua respondendo a centenas de ações semelhantes. Grupos de defesa e famílias comemoram avanços, mas apontam exceções e criticam que experiências mais seguras não sejam automaticamente padrão.

Do ponto de vista econômico, o acordo traduz-se em custos diretos de compliance e em um precedente regulatório que pode transferir ônus para todo o setor de redes sociais. Ao pedir mudanças semelhantes a TikTok e YouTube, procuradores estaduais desenham um cenário de pressão concorrencial e possível readequação de modelos algorítmicos que movem receitas. Para investidores e reguladores, fica a dúvida se medidas pontuais serão suficientes ou se a disputa jurídica e política continuará a forçar uma recomposição mais profunda do negócio das big techs.