O mercado reagiu com alívio imediato ao acordo que reabriu parcialmente o Estreito de Ormuz: os futuros do WTI fecharam em US$ 76,60 o barril, com queda semanal próxima de 10%, e o preço da gasolina recuou abaixo de US$ 4 por galão pela primeira vez desde março. Nos Estados Unidos, as ações continuam próximas de máximas, sustentadas também pelo entusiasmo em torno da inteligência artificial. A leitura rápida dos dados foi de redução de um risco geopolítico imediato — o que explica a reação forte dos preços e dos ativos de risco.
Apesar do efeito positivo, operadores e economistas alertam que parte do movimento pode refletir excesso de otimismo. Para David Oxley, da Capital Economics, o mercado estaria “precificando a perfeição”: a notícia de que o estreito permanece aberto é muito melhor do que o cenário alternativo, mas não elimina uma série de obstáculos práticos. Adam Turnquist, da LPL Financial, reforça que há risco substancial de que a normalização não ocorra com a rapidez ou a amplitude que os preços hoje refletem.
Os analistas citam motivos concretos para cautela. O acordo prevê um cessar-fogo de 60 dias, prazo que pode reabrir a ameaça de fechamento ou provocar novas exigências logísticas, como cobranças de taxas por parte de Teerã. O tráfego atual ainda é uma fração do nível pré‑guerra, os seguros para passagem pela região permanecem elevados e há dúvidas sobre a presença de minas. Além disso, recuperar capacidade produtiva na região do Golfo após danos de guerra não é imediato, o que limita a velocidade de oferta adicional.
No plano financeiro, a queda do petróleo já levou bancos a revisar projeções: o Citi reduziu sua estimativa para o trimestre para US$ 75 por barril, ante previsão anterior de US$ 110. Por outro lado, o mercado de ações, que subiu cerca de 9% desde o início do conflito, segue sensível a decisões do Federal Reserve; a recente manutenção das taxas provocou queda momentânea, e operadores ainda precificam a possibilidade de alta em setembro. Em suma, o alívio é real, mas a leitura dos especialistas é clara: sem confirmação de aumento sustentável do tráfego e resolução dos entraves logísticos e de segurança, a volatilidade pode voltar — e investidores devem evitar assumir que a normalidade já foi restaurada.