Uma autoridade sênior dos EUA disse a repórteres que o acordo sobre terras raras entre Washington e Pequim “ainda está em vigor” e que eventual prorrogação será anunciada “no momento apropriado”. A declaração surge às vésperas da cúpula entre Donald Trump e Xi Jinping, marcada para 14 e 15 de maio em Pequim, quando os dois líderes devem tratar de comércio, Taiwan, conflito envolvendo o Irã e outros temas críticos.
O acordo tem histórico recente: no encontro de outubro, em Seul, Trump e Xi concordaram em interromper a guerra comercial que levou os EUA a impor tarifas elevadas e provocou retórica chinesa sobre restrições às exportações de minerais estratégicos. Essas negociações já posicionaram as terras raras como instrumento de pressão nas relações entre as duas maiores economias do globo.
Do ponto de vista econômico, a manutenção do acordo é um alívio temporário para fabricantes de tecnologia, defesa e energia, que dependem desses minerais para componentes eletrônicos, ímãs e baterias. Mas a indefinição sobre uma extensão cria um ambiente de incerteza: empresas e investidores não conseguem precificar risco de fornecimento nem planejar investimentos em diversificação.
Politicamente, a pauta expõe uma tensão clássica entre segurança nacional e interesses comerciais. Para os EUA, assegurar acesso confiável a terras raras é questão estratégica; para a China, a vantagem na produção e no processamento desses minerais representa alavanca diplomática. A negociação, portanto, funciona tanto como ferramenta econômica quanto como moeda de barganha política.
A expectativa de anúncio futuro funciona como sinal de estabilidade de curto prazo, mas não elimina a necessidade de políticas públicas claras. Países que dependem de insumos críticos precisam acelerar medidas de deslocalização, reciclagem e estímulo a cadeias alternativas. A mera prorrogação, sem cronograma transparente, apenas posterga decisões empresariais relevantes.
No cenário global, a cúpula de maio será um termômetro: manter o acordo reduziria o risco imediato de desabastecimento; fracassar em fixar um novo arranjo ampliaria a volatilidade em setores sensíveis. A comunidade internacional, e sobretudo os atores industriais, devem monitorar o resultado com atenção, buscando sinais concretos sobre duração e condições de qualquer extensão.