Manter as contas equilibradas continua sendo acrobacia para a maioria dos brasileiros. O estudo 'Acrobacia Financeira', realizado pela Consumoteca a pedido do Inter, aponta que 91% dos entrevistados reconhecem necessidade de aprender mais sobre gestão do dinheiro. Apesar disso, menos de 30% se consideram com a vida financeira organizada e apenas 23% conseguem poupar com regularidade. O retrato é de uma população com intenção de melhorar, mas sem prática consolidada.

A pesquisa também revela diferenças por nível de renda: nas classes C e D prevalece a preocupação com despesas básicas — alimentação, moradia e contas essenciais — enquanto A e B lidam mais com a manutenção do padrão e o peso de financiamentos de longo prazo. A relação com o crédito segue complexa: muitos usam linhas de crédito para emergências ou consumo sem entender critérios de aprovação e gestão do endividamento. O Inter, com mais de 41 milhões de clientes, tem ampliado ferramentas como o Meu Crédito para oferecer acompanhamento integrado das finanças.

Do ponto de vista econômico e social, o quadro tem efeitos concretos. A dificuldade de transformar renda em reserva deixa famílias vulneráveis a choques, amplia o recurso ao crédito em condições caras e reduz capacidade de investimento privado em longo prazo. Para o setor público, isso significa maior probabilidade de pressão por programas assistenciais e custo fiscal em cenário de fragilidade, além de limitar o espaço para políticas que dependam de poupança doméstica para estimular crescimento sustentável.

O diagnóstico indica que informação por si só não basta: é preciso combinar educação financeira eficaz, produtos mais simples e políticas que facilitem a formação de poupança entre os mais vulneráveis. Fintechs e bancos digitais podem ter papel relevante, mas cabe também ao poder público e ao setor financeiro coordenar esforços para traduzir intenção em prática. Sem isso, o improviso continuará sendo a primeira resposta diante de qualquer imprevisto.