O adiamento das negociações entre Estados Unidos e Irã, confirmadas pelo ministério das Relações Exteriores da Suíça após a desistência da viagem do senador JD Vance, reacende a incerteza sobre a retomada da navegabilidade no Estreito de Ormuz. Apesar de cerca de dez petroleiros terem atravessado a região no primeiro dia de vigência do acordo, o número está longe de indicar normalidade.

Especialistas destacam que o risco já foi precificado pelo mercado: o frete marítimo permanece elevado e o seguro segue com prêmio alto. A complexidade geográfica — o estreito dividido entre as águas territoriais do Irã e de Omã — e as minas colocadas na área continuam a desviar rotas, o que só poderá ser resolvido por avanços diplomáticos consistentes.

O acordo provisório prevê retirada parcial das forças americanas e garantia iraniana de livre passagem por 60 dias, mas há receio de que Teerã use esse período para negociar uma cobrança de trânsito. A ausência do Hezbollah nas conversações e a intensificação de ataques no sul do Líbano elevam o risco de novos choques, mantendo a região sob tensão e ampliando o prêmio de risco das operações marítimas.

Para a economia, o efeito é direto: custo maior no transporte e no seguro pressiona preços de combustíveis e encarece exportações e importações, afetando competitividade. O cenário acende alerta para governos e empresas, que terão de monitorar de perto a evolução diplomática — trata-se de um retrato do momento, não de uma previsão definitiva, mas com impacto concreto na cadeia global de energia.