A Adnoc (Abu Dhabi National Oil Company) anunciou um plano de investimentos de US$ 55 bilhões para o biênio 2026–2028. Segundo a empresa, os recursos reforçam a execução do plano quinquenal de gastos de capital aprovado pelo conselho em 2025, e marcam o início de uma etapa de projetos em larga escala ao longo de sua cadeia de valor.

Os projetos abrangem desde exploração e produção (upstream) até refino e comercialização (downstream), com o objetivo declarado de aumentar a capacidade de produção e fortalecer a resiliência industrial da companhia. A combinação de expansão de oferta e maior integração vertical tende a melhorar a competitividade da Adnoc em mercados-chave.

O movimento ganha outra dimensão depois do anúncio da saída dos Emirados Árabes Unidos da Opep. Para analistas e para lideranças sindicais como Cibele Vieira, coordenadora-geral da Fup, essa reconfiguração pode redesenhar fluxos comerciais e abrir espaço para disputa por compradores importantes, entre eles a China, maior importador do petróleo brasileiro.

Para o Brasil e para a Petrobras, o cenário sugere necessidade de resposta estratégica: ganhar escala, acelerar investimentos eficientes em refino e logística, e preservar disciplina fiscal. A concorrência externa não é uma ameaça automática, mas expõe fragilidades de oferta e postos que exigem ajuste de política industrial e comercial para proteger participação em mercados internacionais.