As principais companhias aéreas da Europa enviaram uma carta à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, pedindo que a UE não amplie o seu Sistema de Comércio de Emissões (ETS) para cobrir voos internacionais. O documento, assinado por líderes de grupos como Air France-KLM, IAG, Lufthansa e Ryanair e por outras 15 empresas, alerta que a medida elevaria preços para passageiros e custos de transporte de carga.

O ETS exige a compra de licenças para emitir gases de efeito estufa e reduz gradualmente a oferta desses certificados para forçar cortes nas emissões. As aéreas argumentam que estender o mecanismo a voos com partida da UE transferiria um custo adicional direto para consumidores e empresas, enfraquecendo a competitividade do setor e pressionando tarifas já sensíveis à demanda.

As empresas também dizem que uma iniciativa unilateral de Bruxelas prejudicaria o esquema internacional CORSIA, coordenado pela ONU, e pedem que os custos do ETS sejam nivelados com os pagamentos previstos por esse programa. A própria Comissão tem questionado a capacidade do CORSIA de gerar redução efetiva de emissões; um estudo encomendado por Bruxelas em 2021 já havia apontado limitações do mecanismo da ONU.

Além do impacto econômico imediato sobre tarifas e frete, a disputa coloca a Comissão em um dilema político: avançar com regras mais rígidas para cumprir metas climáticas, correndo o risco de reação do setor e de passageiros, ou moderar a proposta e reforçar instrumentos multilaterais. A resposta de Bruxelas nas próximas semanas será decisiva para o custo da aviação e para a coerência da política climática europeia.