O Grupo Agi anunciou lucro líquido de R$ 200,3 milhões no segundo trimestre, queda de 24,4% na comparação anual, segundo o balanço divulgado nesta quarta-feira. O índice de rentabilidade sobre o patrimônio (ROAE) ficou em 21,6%, com recuo de 19,6 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano passado — uma redução que evidencia perda de eficiência na conversão de receita em lucro.
Apesar da queda nos resultados líquidos, a instituição registrou expansão operacional: a carteira de crédito avançou 21%, para R$ 37 bilhões, e o número de clientes ativos subiu 36%, alcançando 7,6 milhões. As receitas totais foram de R$ 3,17 bilhões no trimestre, alta de 26,3% ante o ano anterior. Por outro lado, a inadimplência das operações vencidas há mais de 90 dias subiu para 3,3% (2,7% no 2º tri. do ano passado).
O contraste entre crescimento da carteira e retração do lucro sugere compressão de margens ou aumento do custo do risco — circunstância que exige explicações da gestão sem extrapolar os dados públicos. Receita em alta não se traduziu em lucro maior, o que pode refletir maior provisionamento, deterioração de mix de crédito ou elevação de despesas operacionais. A piora na inadimplência, ainda que moderada, reforça essa leitura e dificulta uma narrativa de crescimento sustentável sem ajuste de eficiência.
Para investidores e administradores, o balanço aponta um desafio claro: manter expansão volumétrica sem deteriorar rentabilidade. Em termos práticos, a prioridade será controlar perdas e revisar políticas de crédito e custo, sob risco de o retorno sobre o capital seguir pressionado mesmo com expansão de clientes e receitas.