O Agibank apresentou ao mercado um plano ambicioso para o segmento de crédito consignado: alcançar mais de 10% de participação até 2030, o que corresponderia a uma carteira acima de R$ 100 bilhões. A meta foi detalhada pelo presidente executivo do conselho do banco durante entrevista, e combina crescimento orgânico, tecnologia e expansão de pontos físicos.

O cenário favorece a estratégia: o ecossistema de consignado movimenta hoje cerca de R$ 750 bilhões e cresce, em média, entre 7,5% e 8% ao ano. Mantida essa trajetória, o mercado pode ultrapassar R$ 1 trilhão até 2030 — um aumento que abre espaço para capturar fatias relevantes, mas também atrai competição intensa entre bancos tradicionais e fintechs.

A estratégia do Agibank repousa em três pilares: aumentar a base de clientes, transformar-se em empresa orientada por inteligência artificial em até 24 meses e expandir a rede de smart hubs para mais de 2 mil unidades nos próximos cinco anos. Há vantagem operacional na ausência de sistemas legados, mas a decisão de reforçar presença física cria um ponto de tensão entre escala digital e custos fixos de expansão.

Há riscos e oportunidades claros. A pressão competitiva pode reduzir margens do consignado, beneficiando tomadores com taxas mais baixas mas exigindo eficiência operacional. Aquisições anunciadas como possibilidade elevam o potencial de consolidação do setor, o que deve ser acompanhado por indicadores como evolução da inadimplência, custo de aquisição de clientes e nível de investimento em tecnologia para que a promessa se traduza em ganho real de mercado.