O diretor-executivo da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol, alertou nesta quinta que o mercado global de petróleo corre risco de entrar numa "zona vermelha" entre julho e agosto. A combinação do pico sazonal de demanda no verão do Hemisfério Norte, a interrupção de exportações do Oriente Médio e a redução dos estoques globais criou um cenário de tensão que já pressiona os preços.

Birol informou que mais de 14 milhões de barris por dia foram retirados do mercado no Oriente Médio desde o início da crise e destacou que a resposta coordenada — incluindo a liberação de cerca de 400 milhões de barris de reservas estratégicas — só suavizou o choque inicial. A AIE tem disponibilizado entre 2,5 milhões e 3 milhões de barris por dia, mas esses volumes estão gradualmente se esgotando justamente quando aumenta a demanda por combustíveis.

Para a agência, a solução estrutural passa pela reabertura total e incondicional do Estreito de Ormuz; enquanto isso não ocorre, a recuperação da produção e da capacidade de refino na região tende a ser lenta e desigual. Países com infraestrutura e recursos, como Arábia Saudita e Emirados, têm mais condições de acelerar retomadas, mas o Iraque inspira preocupação pela dependência fiscal do petróleo e limitações logísticas que afetaram campos e estoques.

O quadro tem implicações claras para a economia: maior volatilidade e tendência de alta dos preços do combustível podem pressionar a inflação, reduzir renda real e forçar respostas fiscais emergenciais de governos. Para gestores públicos e mercados, o recado da AIE é político e operacional: medidas temporárias de estoque ajudam, mas não substituem a normalização do fluxo de petroleiro pelo principal canal do abastecimento global.