O diretor da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, afirmou que a Europa tem “talvez combustível de aviação para cerca de seis semanas”. Birol repetiu o alerta feito no início de abril e advertiu que, caso o fluxo pelo Estreito de Ormuz não seja restaurado, “em breve haverá a notícia de que alguns voos podem ser cancelados” por falta de querosene.
O aviso da AIE confirma avaliação já feita por aeroportos e agentes do setor: a ACI Europe disse em 9 de abril que o bloco estaria a apenas três semanas de uma eventual escassez. As companhias têm respondido cortando voos menos lucrativos, numa tentativa de gerir estoques e custos diante da disparada dos preços do combustível desde o início do conflito no Oriente Médio.
As consequências são econômicas e práticas. A pressão sobre o preço do querosene tende a elevar tarifas e custos operacionais das aéreas, com possível repasse aos consumidores e impacto sobre a inflação. Turismo e integração regional podem sofrer, e cadeias logísticas que dependem de frete aéreo também ficam vulneráveis. Para governos, o cenário exige medidas de curto prazo, como a gestão de reservas estratégicas e coordenação internacional do abastecimento.
Do ponto de vista político e institucional, o alerta aumenta a pressão sobre autoridades europeias e parceiros globais para atuar em diplomacia energética e em salvaguardas logísticas. Tratam-se de sinais de risco, não de prognóstico certo — mas já é suficiente para exigir planejamento e transparência das decisões que afetarão empresas, viajantes e contas públicas.