A Agência Internacional de Energia (AIE) revisou suas projeções e diz que a oferta global de petróleo deve se recuperar fortemente até 2027, chegando a um ganho acumulado de cerca de 8 milhões de barris por dia (bpd). Ainda assim, a agência adverte que a plena normalização do tráfego pelo Estreito de Ormuz — rota crítica para quase um quinto do petróleo e gás mundial — não será imediata, mesmo com o avanço de um acordo provisório entre EUA e Irã.
No curto prazo, o choque de oferta reverteu-se em retração da demanda: a AIE estima queda de 1,1 milhão bpd em 2024, ante recuo menor projetado anteriormente, devido a preços elevados e interrupções logísticas. Para 2026 a expectativa é de um declínio da oferta na ordem de 3,9 milhões bpd, com a produção global em maio ainda 13,6 milhões bpd abaixo dos níveis pré‑conflito. As exportações dos produtores do Golfo recuaram cerca de 1,1 milhão bpd e permanecem quase 15 milhões bpd abaixo de fevereiro.
A composição da recuperação para 2027 envolve um incremento esperado da Opep+ de 5,5 milhões bpd e ganhos fora do grupo de aproximadamente 2,5 milhões bpd. O relatório destaca impactos específicos: as exportações iranianas caíram 1,4 milhão bpd, situando‑se em torno de 230 mil bpd, enquanto manobras como transferências navio a navio no Golfo de Omã chegaram a 1,8 milhão bpd, uma adaptação temporária que dificulta transparência e seguro de carga.
Os estoques globais também refletem aperto: retiradas aceleradas somaram 143 milhões de barris em maio, com estoques governamentais da OCDE em queda de 163 milhões de barris — o menor nível desde dezembro de 1990 — e uma média de saques desde o início do conflito de 3,8 milhões bpd. O diagnóstico da AIE é claro: remover minas, reposicionar embarcações e recompor coberturas de seguro leva meses, e isso mantém o mercado vulnerável a picos de preço. A leitura política e econômica é direta: importadores e formuladores de política pública precisam incorporar maior risco de volatilidade e custo adicional nas contas fiscais e na inflação, ao mesmo tempo em que planejam medidas de contingência e diversificação de suprimentos.