A Agência Internacional de Energia (AIE) promoveu uma revisão brusca das perspectivas para o mercado de petróleo ao estimar, neste relatório mensal, que a demanda global deve encolher em 80 mil barris por dia em 2026 — uma guinada diante da expectativa anterior de crescimento de 640 mil bpd. No segundo trimestre, prevê queda de 1,5 milhão de bpd, o maior recuo desde a pandemia.
O rebaixamento decorre, segundo a AIE, das perturbações comerciais e de fornecimento provocadas pela guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã e pelo quase fechamento do Estreito de Ormuz. A interrupção no fluxo de crude e derivados encurta estoques, pressiona preços e aumenta a volatilidade nas cadeias de suprimento. A projeção da agência assume recuperação parcial das entregas até meados do ano; com rotas reabertas, o retorno à estabilidade demande cerca de dois meses.
No lado da oferta, a AIE também mudou a previsão: passou a estimar retração de 1,5 milhão de bpd em 2026, frente à expectativa anterior de alta. A agência calculou que a produção caiu cerca de 10,1 milhões de bpd em março, para 97 milhões, e pode recuar mais em abril antes de iniciar a recomposição — um quadro que eleva o risco de choques de preço no curto prazo.
O relatório acende alerta para formuladores: preços mais altos pressionam a inflação e elevam o custo dos combustíveis, com impacto direto no custo de vida e nas contas públicas. Para governos e bancos centrais, a combinação de incerteza no fornecimento e demanda mais fraca complica o diagnóstico macroeconômico e pode exigir ajustes em política fiscal e energética. Em suma, o mercado segue marcado por alto grau de incerteza e vulnerabilidade a novos choques.