A Agência Internacional de Energia (AIE) revisou para baixo suas projeções e concluiu que o quase fechamento do Estreito de Ormuz desencadeou um choque de oferta que pode manter o suprimento global de petróleo mais apertado por meses. No relatório mensal divulgado nesta quarta-feira, a agência associa a interrupção do tráfego e as tensões entre EUA e Irã a repercussões duradouras nos mercados energéticos.

A entidade passou a estimar que a demanda global cairá 420 mil barris por dia (bpd) em 2026 — uma revisão para pior frente à previsão anterior de recuo de 80 mil bpd. Só no segundo trimestre, a queda projetada subiu para 2,45 milhões de bpd, acima dos 1,5 milhão previstos antes. Na ponta da oferta, a AIE agora espera retração de 3,9 milhões de bpd em 2026, ante 1,5 milhão estimado anteriormente; em abril a oferta teria recuado 1,8 milhão bpd, para 95,1 milhões bpd.

No cenário-base, os fluxos pelo estreito começariam a retornar gradualmente a partir de junho, com a demanda voltando a terreno positivo apenas em agosto. A recuperação da oferta, porém, deverá ser mais lenta devido a danos em infraestrutura, gargalos logísticos e à necessidade de remover minas iranianas do canal antes de restabelecer operações normais de exportação.

O conjunto de revisões aponta para risco prolongado de aperto no mercado, com impacto direto sobre preços e cadeias de abastecimento de combustíveis. Para governos e empresas importadoras, o quadro exige monitoramento e planos para mitigar volatilidade e rupturas logísticas enquanto a normalização dos fluxos não se confirmar.