A Airbus confirmou nesta quarta-feira a meta de entregar cerca de 870 aeronaves em 2026 — o maior número da história da companhia — e manteve suas metas de produção. O anúncio ocorre após resultados mistos no terceiro trimestre: lucro operacional ajustado de €1,77 bilhão e receita de €17,47 bilhões, queda de 2% em relação ao ano anterior, números que deixaram investidores atentos à sustentabilidade da meta anual.

A companhia precisará de um quarto trimestre recorde para atingir a marca. Nos nove primeiros meses do ano foram entregues 547 aviões, frente a 475 da rival Boeing, mas a montanha a escalar é grande. A Airbus diz que as pressões na cadeia de suprimentos vêm diminuindo, mas consultores e analistas lembram que atrasos ainda existem e que a recuperação é parcial — o que torna a execução de fim de ano crucial.

O fluxo de caixa livre antes do financiamento de clientes é outro ponto de atenção: negativo em €1,27 bilhão desde janeiro, reflexo de estoques mais altos enquanto a empresa se preparava para um surto de entregas. Essa estratégia de estocagem pode ajudar a cumprir cronogramas no curtíssimo prazo, mas aumenta o custo financeiro e expõe a fabricante a riscos se as entregas não se concretizarem no ritmo esperado.

No tabuleiro competitivo, a Boeing já admitiu dificuldades na produção e afirmou que não alcançará metas de entrega, cenário que favorece a Airbus em termos de participação de mercado — desde que a promessa se confirme. Para investidores e clientes, o principal risco agora é operacional: se a Airbus falhar em converter a preparação logística em entregas, o resultado será pressão por mais transparência, potencial revisão de guidance e impacto sobre preço das ações e negociações com companhias aéreas.