Brasília, DF – O economista Sergio Firpo, do Insper, afirmou no programa WW Especial (CNN Brasil) que o ajuste fiscal do próximo governo precisa combinar responsabilidade orçamentária com justiça social. Para ele, só um pacote claro desde o início pode sinalizar compromisso com o equilíbrio das contas no médio e longo prazo.

Firpo, que já foi secretário de monitoramento e avaliação do Ministério do Planejamento e Orçamento, alertou que o formato atual do orçamento brasileiro impede cortes bruscos com efeito imediato. Segundo ele, é preciso montar medidas que mostrem que, ao longo de quatro anos, haverá ajuste sustentado, e não apenas cortes pontuais.

O que precisa ser feito é pensar num pacote de medidas que afetem imediatamente a perspectiva de que, no médio e longo prazo, vá haver, sim, um ajuste no gasto primário

O economista destacou o crescimento das despesas obrigatórias, sobretudo previdenciárias e assistenciais, mas pediu que o debate também inclua benefícios tributários a empresas e faixas de renda mais altas. Ele citou isenções e deduções do Imposto de Renda em saúde e educação como exemplos que precisam entrar na discussão para distribuir o ônus do ajuste.

Na visão de Firpo, concentrar a pauta apenas nas despesas sociais sem revisar os gastos tributários reduz a legitimidade política das medidas. O caminho, afirmou, exige um esforço coletivo para definir prioridades e construir um modelo de país que seja socialmente justo e capaz de entregar políticas públicas eficazes.