Alan Greenspan, economista que chefiou o Federal Reserve por cinco mandatos e atuou sob quatro presidentes, morreu aos 100 anos, informou a NBC News. A notícia foi divulgada pela esposa, Andrea Mitchell, que atribuiu o falecimento a complicações da doença de Parkinson. O casal foi casado por 29 anos.
Nomeado por Ronald Reagan em 1987, Greenspan permaneceu à frente do Fed por 18 anos e meio, deixando o cargo em 2006 durante a administração de George W. Bush. Sua gestão foi marcada por episódios dramáticos, como a queda abrupta do mercado em 1987 — quando adotou intervenções para sustentar o sistema financeiro — e por longos períodos de crescimento, desemprego baixo e superávits fiscais.
Ao mesmo tempo, seu legado alimenta controvérsias. As políticas de juros muito baixos no início dos anos 2000, com a taxa chegando a 1%, e uma supervisão considerada frouxa do mercado hipotecário são apontadas por muitos economistas como fatores que contribuíram para a bolha imobiliária e a crise de 2008. Greenspan chegou a reconhecer ter subestimado os danos causados pelo estouro da bolha, ainda que tenha negado ter sido a política de juros a causa direta.
Figura influente e de comunicação intencionalmente densa, ele também modernizou o banco central — entre outras mudanças, instituiu a prática de divulgar comunicados de política monetária. A morte de Greenspan reabre o balanço sobre uma trajetória ambígua: administração da estabilidade em momentos decisivos e decisões que, na avaliação de críticos, reduziram a resiliência do sistema financeiro.