O presidente em exercício Geraldo Alckmin evitou, neste sábado, um novo posicionamento sobre a chamada "taxa das blusinhas" — imposto de 20% que incide sobre mercadorias importadas de até US$ 50. Questionado após visita a uma concessionária em Valparaíso de Goiás, Alckmin limitou-se a afirmar que o tema foi uma decisão do Congresso e que, por ora, não há definição do governo.
A medida foi criada pelo Executivo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva depois de aprovada pelo Congresso Nacional. Embora Alckmin tenha defendido o tributo em entrevista no dia 16, argumentando que ele dá competitividade à indústria brasileira e ajuda a gerar empregos, alas do próprio governo pressionam pela derrubada da taxa — principalmente pela impopularidade em ano eleitoral.
A postura de adiamento do Planalto amplia a incerteza política e econômica em torno do tema. A indefinição acende alerta para o governo, que precisa equilibrar a defesa da indústria nacional com o custo político da medida junto ao eleitorado. Para empresas e varejo, a falta de clareza mantém cenário de dúvida sobre prazos, preços e cadeias de fornecimento que já vinham registrando efeitos desde a aprovação.
Além do tema tributário, Alckmin tratou rapidamente da proposta de redução da jornada de trabalho, afirmando ser uma tendência global associada a ganhos de produtividade e que a questão deverá ser debatida no Congresso. No caso da taxa sobre pequenas importações, a palavra final ainda pendura um fio político: sem decisão clara do Executivo, o debate público e a pressão sobre parlamentares devem se intensificar nas próximas semanas.