O Ministério da Economia da Alemanha reduziu pela metade a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto para 2026, de 1,0% para 0,5%, em uma revisão divulgada esta semana que confirma uma recuperação lenta após a expansão de apenas 0,2% em 2025. O recuo da expectativa é um retrato da fragilidade da maior economia europeia e acende alerta sobre a capacidade de retomada sustentável do ciclo econômico.
A previsão oficial aponta que a demanda doméstica deve permanecer o principal motor em 2026, com avanço projetado de 1,0%. Em contrapartida, o setor externo deve continuar a pesar no resultado, com contribuição negativa de 0,5 ponto percentual — reflexo da estagnação das exportações neste ano, após queda de 0,4% em 2025. O cenário confirma que choques externos e um comércio europeu em baixa limitam a alavanca do crescimento.
Entre os setores, o governo estima aceleração dos investimentos brutos, com expansão real de 1,6% em 2026, recuperando-se da retração de 0,2% em 2025. Ainda assim, o consumo privado deve desacelerar fortemente, de 1,6% para 0,4%, sinalizando cautela das famílias. No mercado de trabalho, a taxa de desemprego deve manter-se em 6,3% em 2026 e 2027, com o número de empregados caindo 0,2% em 2026 antes de estabilizar.
A projeção de inflação ao consumidor subiu para 2,7% em 2026 — ante 2,2% em 2025 — e alcança 2,8% em 2027. O avanço dos preços, ainda que moderado, reintroduz um dilema para a política monetária europeia: como equilibrar esforços para conter a inflação sem sufocar uma recuperação já tímida. Para governos e mercados, a nova estimativa complica o horizonte de crescimento e reforça a necessidade de políticas que estimulem produtividade e confiança sem abrir mão da responsabilidade fiscal.