O governo de coalizão da Alemanha anunciou um pacote de alívio de 1,6 bilhão de euros (cerca de US$ 1,9 bi) para atenuar o efeito da alta dos preços do petróleo: o imposto sobre gasolina e diesel será reduzido em 0,17 euros por litro durante dois meses. O chanceler Friedrich Merz relacionou a medida à escalada do conflito envolvendo o Irã e pediu que as petrolíferas repassem integralmente o corte aos consumidores.

A iniciativa tenta responder à pressão pública e à fragilidade do crescimento econômico, mas já encontra ceticismo. Economistas do DIW advertiram que grande parte do benefício pode ficar nos resultados das companhias petrolíferas em vez de ser repassada nas bombas, e operadores de postos apelaram ao governo para impor controles de preço, temendo que as empresas capturem parte do alívio.

A proposta também expôs fissuras na coalizão: confrontos recentes entre aliados—incluindo críticas públicas da ministra da Economia a uma proposta de imposto sobre lucros extraordinários—tornaram mais difícil alinhar uma resposta comum. Como complemento, o governo autorizou um bônus de compensação de 1.000 euros por empregado, isento de encargos, e sinalizou cortes no imposto de renda para faixas baixas e médias a partir de 2027.

Do ponto de vista prático, o pacote alivia custos no curto prazo, mas não corrige incentivos ao consumo nem resolve a origem externa do choque: a oferta global de energia segue vulnerável a eventos geopolíticos. Se o benefício não for cheio repassado, a medida pode gerar custo político sem ganho real para famílias e empresas, ao mesmo tempo em que deixa a coalizão sob o risco de novo desgaste interno.