Brasília, DF – A proposta da deputada Duda Salabert (PSOL-MG) para contar como tempo remunerado o intervalo de almoço — de até duas horas diárias — pode elevar em até 33% o custo da mão de obra, aponta estimativa do Instituto Livre Mercado.
O Instituto calcula aumento de 33% no custo quando as duas horas forem pagas; se a pausa remunerada for de uma hora, o impacto estimado cai para 14%. A economista Zeina Latif, da Gibraltar Consulting, projeta um efeito de 12,5% ao considerar uma hora extra por dia (cinco horas semanais sobre uma base de 40 horas).
Realmente preocupa. Ainda mais diante da redução da escala já aprovada
O levantamento do Instituto ressalta que a proposta chega após a promulgação da emenda que encerra a escala 6x1 e reduz a jornada de 44 para 40 horas. Segundo o instituto, combinadas, as mudanças podem deixar a carga efetiva em 35 horas e elevar mais de 25% o custo da hora trabalhada.
A implementação será escalonada: a partir de 16 de dezembro a jornada máxima cairia para 42 horas semanais e, após 12 meses, para 40 horas. A CNI estima que apenas a redução para 40 horas pode aumentar em 11,1% o custo do trabalho formal na indústria, com impacto calculado em R$ 88 bilhões para empregadores.
Analistas ouvidos pelo material-base defendem que jornadas menores só se equivalem a ganhos reais por meio de produtividade — via investimento, tecnologia e qualificação — e alertam para o risco de onerar empresas e reduzir vagas se o aumento de custos não for acompanhado por ganhos de eficiência.
A proposta parte de uma promessa simples e sedutora, mas de impossível cumprimento: dar ao trabalhador algo sem que ninguém pague por isso. A conta não fecha. Numa jornada de oito horas, se uma delas passa a ser o almoço, a empresa paga o mesmo salário por sete horas de trabalho efetivo