Os contratos futuros do petróleo ampliaram ganhos nesta segunda-feira, refletindo a persistente incerteza sobre a normalização do tráfego no Estreito de Ormuz. Por volta das 8h40, o barril Brent avançava cerca de 1,1%, cotado na casa dos US$ 84, enquanto o WTI também subia 1,1%, perto de US$ 79. O movimento dá sequência à volatilidade observada na semana anterior, quando os preços oscilaram com a evolução dos episódios bélicos e diplomáticos na região.
A escalada tem origem nas conversas entre Estados Unidos e Irã, marcadas por mensagens contraditórias. No fim de semana, Teerã afirmou que não participava de negociações e apresentou um conjunto de exigências para permitir a reabertura do estreito — entre elas cessar ataques, suspensão de sanções, retirada de forças americanas do entorno, descongelamento de ativos e reparações por danos de guerra. A postura endurecida complica um caminho diplomático que vinha sendo tratado de forma discreta por Washington.
O fechamento do Estreito de Ormuz, após a retomada dos combates em julho, tornou ainda mais frágeis as cadeias de abastecimento: a via responde por cerca de 20% do petróleo mundial. A situação piorou com o bloqueio efetivo no Bab el-Mandeb por grupos houthis, apoiados pelo Irã, e ataques a instalações na costa do Mar Vermelho. Um acordo de cessar-fogo assinado em junho deixou de produzir efeito, e embora Teerã negocie com Omã medidas de passagem, isso não significou a reabertura imediata da hidrovia.
O resultado é um ambiente de risco para os mercados de energia e para a inflação global: interrupções prolongadas pressionam contratos, aumentam o custo do frete e elevam a probabilidade de repasses aos combustíveis. Politicamente, a dissociação entre as declarações públicas e as negociações discretas amplia a incerteza, reduz espaço de manobra dos governos e solicita respostas coordenadas de produtores e consumidores para mitigar impacto econômico mais amplo.