A Amazon anunciou a compra da Globalstar por US$ 11,57 bilhões, adicionando à sua constelação as cerca de duas dezenas de satélites da empresa. O negócio ocorre num momento em que a Amazon já opera mais de 200 satélites e planeja lançar aproximadamente 3.200 unidades em órbita terrestre baixa até 2029 — metade delas com operação prevista para cumprir prazo regulatório em julho. A companhia diz que pretende começar a oferecer serviços de internet via satélite ainda este ano.
O principal ativo da Globalstar é a rede projetada para conexões diretas a dispositivos móveis (D2D), com baixo consumo de dados, útil para serviços de emergência e para reduzir dependência de torres terrestres. A Amazon espera implementar capacidades D2D a partir de 2028. O acordo também inclui opção aos acionistas da Globalstar de receber US$ 90 em dinheiro ou 0,3210 ação ordinária da Amazon por ação, representando um prêmio de mais de 31% sobre o fechamento de 1º de abril. A Apple, que aportou cerca de US$ 1,5 bilhão na Globalstar em 2024, mantém contratos para recursos de segurança via satélite em seus dispositivos.
Do ponto de vista estratégico, a operação tenta encurtar distâncias em relação à Starlink, que já tem a maior constelação do mercado e atende mais de nove milhões de usuários. Ainda assim, igualar a escala e a cadência de lançamentos da SpaceX será desafiador: a infraestrutura, logística e custos de implantação permanecem elevados. Há também caminho regulatório a vencer — o acordo está sujeito a aprovações, inclusive da Comissão Federal de Comunicações dos EUA — e ao cumprimento de marcos operacionais por parte da Globalstar.
A transação sinaliza consolidação contínua num mercado valorizado pela promessa de conectividade global, mas não garante vitória automática. Para a Amazon, o movimento reduz uma lacuna tecnológica e amplia portfólio, porém aumenta a exposição a um negócio intensivo em capital e dependente de execução rápida. Para o mercado, a competição pode acelerar inovações e parcerias (como as já em curso entre concorrentes e operadoras), mas o desfecho dependerá da capacidade das empresas de escalar redes, obter autorizações e transformar infraestrutura em receita consistente.