Com o avanço das vendas online no Brasil, a atividade de motorista-entregador ganhou peso econômico e social. Duas plataformas se destacam entre os profissionais que usam veículos próprios: a Amazon, com seu sistema de blocos, e o Mercado Livre, que opera com ofertas de rotas por meio do Mercado Envios Extra e do Mercado Flex. A disputa não é apenas por volume de entregas, mas por atratividade financeira para quem depende do serviço como complemento ou renda principal.

O modelo do Mercado Livre é dividido em duas frentes: o Envios Extra, que apresenta rotas com valores e trajetos visíveis antes da aceitação, e o Mercado Flex, voltado para entregas locais rápidas. No Envios Extra o faturamento diário indicado pode variar amplamente, entre cerca de R$ 80 e R$ 500, conforme o número de pacotes e o tipo de veículo. Em dias de movimento intenso, uma referência comum entre motoristas é algo em torno de R$ 240 por dia. Já o Flex paga por pacote, numa faixa aproximada de R$ 4 a R$ 8 por item, o que permite alcançar até R$ 200 em jornadas intensas e, quando mantido por semanas, trazer um faturamento mensal médio entre R$ 5.000 e R$ 6.000 para entregadores mais dedicados.

O faturamento bruto pode ser alto na ponta, mas o lucro real depende do controle dos custos operacionais.

A alternativa da Amazon se organiza por blocos de tempo — intervalos agendados que costumam durar de três a quatro horas — pelos quais o motorista recebe um valor fixo. A referência de remuneração por hora nesses blocos é da ordem de R$ 28,00. Em relato de profissionais que fazem jornadas consistentes, é possível alcançar até R$ 400 em um dia de trabalho, dependendo do veículo e da eficiência na logística das rotas. Na soma mensal, com operação regular em torno de 26 dias, o faturamento bruto pode situar-se entre cerca de R$ 6.000 e superar R$ 9.000 em períodos de pico, como nas semanas que antecedem datas comerciais importantes.

Embora as cifras brutas chamem atenção, a comparação direta entre as plataformas exige avaliar varáveis que alteram o resultado final para o entregador. Tipo de veículo — carro de passeio ou utilitário leve —, densidade de entregas na região onde o profissional atua, horário de trabalho e sazonalidade são determinantes. Datas promocionais como Black Friday e Natal elevam o volume de pacotes e a possibilidade de ganhos acima da média, mas não acontecem o ano todo, concentrando os picos de faturamento em períodos específicos.

O motorista-autônomo também arca com uma série de custos que reduz o que sobra no bolso. Combustível, manutenção e depreciação do veículo, eventuais seguros, pedágios e tributos (como obrigações do MEI quando o trabalhador opta por essa formalização) não estão incluídos nas cifras divulgadas pelas plataformas. Por isso especialistas e profissionais experientes recomendam medir o gasto por quilômetro rodado e subtrair esses custos do faturamento bruto para obter o lucro líquido real antes de definir se a atividade é vantajosa na prática.

A combinação dos dois aplicativos é prática comum para preencher horários e maximizar rendimentos.

Na gestão diária, alguns fatores práticos são capazes de aumentar a rentabilidade: planejamento de rotas para reduzir deslocamentos vazios, manter o veículo em condições que minimizem reparos inesperados e organizar horários para aproveitar picos de demanda. Muitos entregadores recorrem a uma estratégia híbrida, operando simultaneamente com os dois aplicativos para preencher horários ociosos e reduzir os períodos sem trabalho. Além disso, o pagamento semanal oferecido com frequência pelo Mercado Livre pode ajudar no fluxo de caixa, enquanto o sistema de blocos da Amazon permite programar a rotina com antecedência.

Não existe uma resposta única sobre qual plataforma paga melhor; a escolha depende do perfil do motorista, do veículo disponível e do ambiente urbano onde atua. Para quem busca previsibilidade de jornada, o modelo de blocos pode ser mais atraente; para quem prefere flexibilidade e gosta de escolher rotas, as ofertas por rota do Mercado Envios Extra e o pagamento por pacote do Flex podem ser vantajosos. A recomendação central é calcular custos fixos e variáveis, simular o rendimento líquido e, se possível, testar as duas plataformas antes de optar por concentrar a operação em apenas uma delas.