A Ambev registrou lucro líquido de R$ 3,5 bilhões no trimestre, alta de 25% ante igual período, segundo o balanço divulgado pela companhia. A receita líquida avançou 6% no período, enquanto o Ebitda ajustado ficou em R$ 8,46 bilhões, aumento de 9%. A empresa assinalou que alcançou o sexto trimestre consecutivo de expansão de margem, mesmo com aumento de investimentos em marcas em função da Copa do Mundo de 2026.

No mercado doméstico, o segmento premium foi destaque, com crescimento de 20% impulsionado por marcas como Corona, Stella Artois e Original; a Ambev informa que as marcas premium já representam cerca de 25% do mercado nacional. O portfólio ligado ao chamado wellness — opções com baixa caloria, sem glúten ou sem álcool — saltou cerca de 60%, com Stella Pure Gold e Michelob Ultra entre os responsáveis pelo avanço. As cervejas sem álcool cresceram 30%, puxadas por Corona Cero, Brahma 0,0% e Skol Zero Zero.

A execução operacional também turbina a liquidez: a geração de caixa somou R$ 7,9 bilhões no semestre de 2026. A companhia anunciou iniciativas que devem resultar em R$ 5,8 bilhões retornados aos acionistas até a data do relatório, sinalizando prioridade em distribuição de capital. Esses números tendem a agradar investidores, mas colocam em evidência escolhas de alocação entre pagar dividendos e reinvestir para sustentar crescimento em categorias emergentes.

Do ponto de vista do mercado, o avanço de premium e wellness confirma movimento de consumo mais diversificado, mas levanta perguntas sobre a sustentabilidade do ritmo de expansão e da margem em cenários menos favoráveis. A consolidação de fatias relevantes do mercado em segmentos mais caros também aumenta a pressão competitiva sobre cervejarias menores. A próxima janela para medir resistência dessas tendências virá com a conversão de investimentos em volumes adicionais e com a capacidade da companhia de manter margens diante de custos e despesas de marketing superiores.