A Ambipar Emergency Response solicitou aos tribunais dos Estados Unidos mais 75 dias de exclusividade para apresentar um plano de reorganização enquanto avalia se mantém o processo sob o Chapter 11 ou se migra para o Chapter 15. O caso tramita no Texas; houve uma audiência na semana passada, no dia 8, e está marcada nova sessão para 13 de maio. Um grupo de detentores de títulos já se opõe à extensão do prazo.
A defesa da empresa argumenta que o procedimento norte-americano integra uma reestruturação mais ampla do grupo, em curso também no Brasil, onde o conglomerado entrou com pedido de recuperação judicial em outubro de 2025, com passivos de R$ 11 bilhões. Segundo os advogados, manter a exclusividade facilitaria negociações consensuais e evitaria a multiplicação de planos concorrentes que poderiam atrapalhar uma solução ampla.
Do lado dos credores, a leitura é outra: afirmam que a companhia tem usado o tempo sem conduzir negociações significativas em mais de quatro meses de Chapter 11 e que não trouxe esclarecimentos sobre cerca de R$ 4 bilhões que teriam desaparecido do caixa. Em documento judicial, pedem ao juiz que negue a prorrogação, sustentando que a extensão serviria apenas para impedir a apresentação de alternativas pelos detentores de títulos.
Na prática, a escolha entre Chapter 11 e Chapter 15 tem implicações diretas sobre alcance e alavancagem dos credores: o Chapter 11 confere às cortes americanas poder sobre ativos globais da empresa, enquanto o Chapter 15 se limita a reconhecer e apoiar um processo aberto no exterior, com efeitos restritos aos bens nos EUA. A disputa judicial e a resistência dos credores aumentam a pressão sobre a administração e ampliam a incerteza para fornecedores, investidores e mercados. A decisão até 13 de maio será um termômetro da viabilidade de um acordo e da capacidade da Ambipar de explicar o destino dos recursos apontados como ausentes.